21 de set de 2012

Os cuidados com a pressão alta durante a gravidez

Pesquisa mostra que mais mulheres estão tomando medicamentos para hipertensão durante gestação. Saiba quando isso é necessário e conheça as diferentes formas de pressão alta.




A pressão alta durante a gravidez é um problema que jamais pode ser ignorado. Até porque, segundo o Ministério da Saúde, a pré-eclâmpsia, doença relacionada à hipertensão na gravidez, é ainda a principal causa de morte entre as gestantes. Um estudo realizado pela American Heart Association, nos Estados Unidos, mostrou que o número de mulheres que tomam remédio para a pressão alta durante a gestação vem aumentando, ainda que timidamente, desde o ano 2000. 

Os pesquisadores reuniram e analisaram o histórico médico de 1 milhão de pacientes, sendo que 48.453 mil eram gestantes. Destas, 4,4% tomavam algum tipo de medicamento para hipertensão; antes esse número era de 3,9%. Mas esse aumento já é considerado preocupante segundo Brian T. Bateman, autor do estudo e professor de medicina na universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Isso porque alguns remédios podem ser nocivos à saúde dos bebês.

Por isso, é fundamental que, quando a mulher hipertensa planeja engravidar, ela faça uma avaliação pré-concepcional. “O médico deve verificar as condições da paciente, os medicamentos que ela toma e a necessidade de serem ou não substituídos durante a gravidez para o bem do bebê”, disse Mário Macoto Kondo, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana (SP). Esse risco-benefício só pode ser avaliado pelo seu médico.

Como tratar

As doenças hipertensivas podem complicar as gestações, interferindo no crescimento do feto e alterando a função renal da mulher. Por isso, o pré-natal deve ser ainda mais rigoroso caso você tenha qualquer uma das formas de hipertensão (leia mais abaixo). Pode ser que o obstetra indique mais ultrassons para acompanhar o desenvolvimento do bebê, por exemplo.
pré-eclâmpsia afeta 5 a 7% das grávidas brasileiras, segundo Kondo. Ela surge a partir da 20ª semana de gestação e acomete, principalmente, quem está esperando o primeiro filho. Inchaço nos pés, pernas, mãos e no rosto e fortes dores de cabeça estão entre as consequências da pré-eclâmpsia, que não tem causa conhecida. O excesso de espuma na urina pode ser um indício de eliminação de proteína, outro fator comum nesse caso. 
O tratamento varia de acordo com a gestante. “Dependendo do risco, a mulher é orientada a diminuir o ritmo de suas atividades. Se tiver um trabalho muito estressante, é interessante que ela se afaste”, diz Kondo. Internações para monitoramento e repouso também costumam ser recomendados às gestantes que têm pré-eclâmpsia – e o uso de medicamentos é necessário para os casos mais complicados. “O risco, caso a doença não seja diagnosticada e tratada corretamente, é ela evoluir para a eclâmpsia, provocando convulsão na gestante, o que pode ser fatal para ela e para o bebê”, alerta Kondo.

Vale lembrar que controlar a alimentação, o sal e a gordura das comidas, assim como praticar atividades físicas são fatores aliados no controle da hipertensão. “Os exercícios leves, de baixo impacto, melhoram o condicionamento, favorecem o controle de peso e da pressão. Hidroginástica, por exemplo, é uma excelente opção”, diz o obstetra José Carlos Sadalla, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês (SP). 

Entenda a diferença entre as doenças hipertensivas que merecem atenção durante a gravidez
Hipertensão crônica: quando a mulher já tem pressão alta antes de engravidar.
Pré-eclâmpsia: surge geralmente a partir da 20ª semana de gestação e tende a desaparecer entre a 4ª e a 6ª semana após o parto. Se ela persistir alta depois desse período, passa a ser considerada crônica.
Hipertensão crônica com pré-eclâmpsia: mulheres que têm esse problema também podem desenvolver pré-eclâmpsia. Ou seja, sofrer as consequências desse problema: inchaço, dor de cabeça, perda de proteína na urina. Os médicos chamam de pré-eclâmpsia superajuntada. Geralmente, é uma das formas mais graves da doença.
Hipertensão gestacional: quando a pressão da gestante sobe durante qualquer período da gestação, mas sem os fatores agravantes da pré-eclâmpsia. A tendência é a de que a pressão normalize 24 horas após o parto.



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