7 de jul de 2012

Teste de sangue pode provar paternidade no começo da gravidez

Trata-se de uma pergunta desconfortável que, no mundo de hoje, costuma ser feita por futuras mamães que tinham mais de um parceiro quando engravidaram.  
Quem é o pai?


Agora, existem testes de sangue que podem determinar a paternidade na oitava ou nona semana de gravidez, sem procedimentos invasivos que poderiam provocar o aborto.
Além de reduzir a ansiedade, os testes podem permitir que as mulheres ponham um fim à gravidez caso o homem preferido não seja o pai; ou seguir em frente se ele for.
Sabedores de que são pais, os homens podem estar mais propensos a dar ajuda financeira e emocional durante a gravidez, o que, segundo estudos, pode levar a bebês mais saudáveis.

De acordo com advogados, se os testes ganharem aceitação jurídica, mulheres e governos estaduais podem vir a cobrar o pagamento de pensão alimentícia sem ter de esperar até o nascimento. Segundo a lei atual, "até e somente se a gravidez resultar num filho, qualquer custo ligado a ela é visto como um problema pessoal da mulher", explicou Shari Motro, professora de direito da Universidade de Richmond.
O exame em si, no entanto, pode se revelar embaraçoso porque pelo menos um dos possíveis pais deve dar uma amostra de sangue.
Courtney Herndon, depois de terminar com o namorado, teve um relacionamento breve com um homem visto por ela como amigo. Ela se viu grávida aos 19 anos, sem saber qual dos dois era o pai.
O amigo também queria saber, assim aceitou fazer o teste e descobriu ser o pai. Os dois fecharam um acordo de pensão alimentícia antes de o bebê nascer.
"Consegui fazer o teste e seguir com a minha vida", disse Herndon, que mora em Fort Polk, Louisiana.


Estimativas quanto à extensão da incerteza paterna variam.
Pesquisas encontraram uma taxa de discrepância – quando o pai presumido não é o genitor biológico – de 0,8 por cento a 30 por cento, com uma média de 3,7 por cento, de acordo com uma análise de tais estudos. Segundo outro levantamento, cerca de nove por cento das certidões de nascimento na Flórida, excluindo casos de mães adolescentes, não trazem o nome completo do pai, embora não esteja claro quanto disso se deva à incerteza. A mortalidade infantil era mais elevada quando o nome dos pais não era mencionado pela certidão de nascimento.
Já é possível determinar a paternidade durante a gravidez usando a amniocentese e a amostragem do vilo coriônico, o mesmo procedimento utilizado para examinar se um feto tem síndrome de Down. Contudo, esses exames são invasivos e oferecem um pequeno risco de provocar aborto, assim, raramente são empregados em testes de paternidade.
Em contraste, os novos testes exigem apenas amostras de sangue da mulher grávida e do pai em potencial. Geralmente, médicos não precisam ser envolvidos.

Esse fato poderia aumentar enormemente a quantidade de exames, disse Sara Katsanis, do Instituto para Políticas e Ciências Genômicas da Universidade Duke, em Durham, Carolina do Norte. Ela está planejando um estudo com uma das empresas que oferecem o teste para ver se o exame de paternidade pré-natal pode reduzir o estresse da mulher grávida.
Testes de paternidade não invasivos são oferecidos na internet há quase uma década, com reclamações quanto à precisão ou até mesmo de resultados fraudulentos.
Porém, segundo especialistas, a tecnologia avançou a tal ponto que os testes agora podem ser feitos de forma confiável. Um estudo breve descrevendo um deles, desenvolvido pela empresa Ravgen, foi publicado recentemente pelo célebre New England Journal of Medicine.
"Não tenho dúvida de que esses exames funcionarão clinicamente", disse o Dr. Mark I. Evans, professor da Escola de Medicina Mount Sinai e diretor da Comprehensive Genetics, laboratório nova-iorquino especializado em testes pré-natais.

Os testes analisam fragmentos de DNA do feto que estão presentes no sangue da mãe em quantidades minúsculas. A mesma abordagem agora está sendo utilizada para determinar de forma não invasiva o sexo do feto ou se ele tem síndrome de Down. Em junho, pesquisadores mostraram ser capazes de determinar o genoma inteiro do feto dessa maneira.
A Ravgen, pequena empresa de Columbia, Maryland, oferece o teste de forma limitada e cobra de US$ 950 a US$ 1.650, dependendo das circunstâncias, disse o Dr. Ravinder Dhallan, CEO da companhia.
Outro teste foi desenvolvido por uma empresa do Vale do Silício, Califórnia, chamada Natera e é comercializado pelo DNA Diagnostics Center, um dos principais fornecedores de testes de paternidade convencionais. Segundo executivos, milhares de testes pré-natais foram encomendados desde seu lançamento, em agosto do ano passado. O preço é de US$ 1.775, comparados a cerca de US$ 500 pelo teste convencional após o nascimento.

Nenhum dos testes recebeu a certificação de precisão exigida em casos de custódia infantil, embora a Natera tenha se candidatado a obtê-la. A AABB, organização certificadora, está avaliando seriamente se deveria certificar exames pré-natais, declarou Eduardo Nunes, diretor sênior de política, padrões e desenvolvimento global da organização, antes conhecida como American Association of Blood Banks.
Todavia, especialistas aconselham cautela. A Natera ainda não publicou nenhum dado em periódicos revisados por especialistas. O estudo da Ravgen no New England Journal of Medicine discutia apenas 30 amostras. (O teste apontou corretamente o pai em relação a um homem escolhido ao acaso em todos os 30 casos.)
Os testes poderiam gerar polêmica se levassem a mais abortos. Entretanto, Matthew Rabinowitz, CEO da Natera, disse que se uma mulher tivesse a intenção de pôr fim a uma gravidez com base na paternidade, ela poderia fazer um exame invasivo. Já o Dr. Dhallan afirmou que o exame, no caso de uma mulher que se visse grávida após um estupro, poderia convencê-la a ter o bebê se o pai não fosse o estuprador.
O teste da Ravgen foi utilizado num caso de homicídio. Em 2008, Michael Roseboro, diretor de uma funerária do condado de Lancaster, Pensilvânia, foi acusado de matar a esposa, Jan, cujo corpo foi encontrado na piscina da família.

Para estabelecer o motivo do assassinato, os promotores queriam provar que Roseboro tinha um caso com outra mulher, a qual estava grávida, e não queriam esperar até o bebê nascer.
"Ficamos preocupados que ela pudesse fazer um aborto ou que algo acontecesse e nunca poderíamos determinar quem era o pai", afirmou Craig Stedman, promotor público do condado de Lancaster.
No entanto, o teste pré-natal não foi apresentado no julgamento porque Roseboro terminou admitindo ser o pai. Roseboro, que ainda afirma ser inocente, foi condenado à prisão perpétua.
Testes precoces poderiam representar mais apoio do pai à mulher grávida.
Uma mulher da região de Seattle disse que quando estava grávida, com dois possíveis pais, "nenhum dos dois queria se envolver para depois vir a saber que o filho era de outro".

Quando o teste pré-natal mostrou que o pai era o ex-namorado, ele compareceu ao parto e deu apoio à criança. Sob a condição de não ter o nome revelado, a mulher afirmou não sentir "orgulho por desconhecer quem era o pai do meu filho".
Em alguns casos, o DNA não é o destino. O teste de Herndon mostrou que o bebê não era do ex-namorado. Todavia, o casal terminou se reconciliando e casando, e o marido aceitou o bebê, agora com 16 meses.
"Nós vemos nossa filha como sendo nossa, minha e do meu marido", afirmou Herndon.
O pai biológico manda presentes e paga pensão alimentícia.
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