17 de dez. de 2012

Projeto de lei propõe salário integral a grávidas em situação de risco

      Já aprovado pelo Senado, ele segue para discussão na Câmara.


Uma nova proposta que visa proteger a saúde das gestantes foi aprovada nesta quarta-feira (5) pelo Senado Federal. Feito por Marta Suplicy (PT-SP), o projeto de lei propõe licença remunerada à mulher cuja gravidez for considerada de alto risco. Isso quer dizer que, com ele, as mulheres poderão se ausentar do trabalho e continuar recebendo salário integral pelo período que for necessário. Para isso, bastará entregar um laudo médico para comprovar a gravidade da situação.
Atualmente, quem paga pelos primeiros 15 dias de afastamento da gestante em risco é a própria empresa empregadora. Após o 16° dia, ela recebe do INSS um valor percentual dos salários pagos.
Segundo a relatora, Lúcia Vânia (PSDB-GO), cerca de 15% a 20% das gestantes do país se beneficiariam com a lei. Para entrar em vigor, ela ainda deve ser aprovada pela Câmara. A notícia foi publicada no dia (6) de Dezembro no site oficial do Senado.

14 de dez. de 2012

Tente o parto normal! Veja por quê!

A criança respira melhor, a descida do leite é acelerada e a recuperação, mais rápida. Conheça esses e mais motivos para investir nesse tipo de parto.


Como a natureza quer: se o parto normal é o desfecho natural de uma gravidez, por que fugir dele antes mesmo de saber se uma cesárea é de fato indicada para o seu caso? “O ideal é que o bebê escolha o dia em que quer nascer”, diz o obstetra Luiz Fernando Leite, das maternidades Santa Joana e Pro Matre, em São Paulo. É claro que, na hora do parto, às vezes surgem complicações. Aí, sejamos justos, a cesariana pode até salvar a vida da mãe e do filho. “Mas, quando a cirurgia é agendada com muita antecedência, corre-se o risco de a criança nascer prematura, mais magra e com os músculos ainda não completamente desenvolvidos”, adverte o obstetra.


A criança respira melhor: quando passa pelo canal da vagina, o tórax do bebê é comprimido, assim como o resto do seu corpo. “Isso garante que o líquido amniótico de dentro dos seus pulmões seja expelido pela boca, facilitando o primeiro suspiro da criança na hora em que nasce”, explica Rosangela Garbers, neonatalogista do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. Sem falar que as contrações uterinas estressam o bebê – e isso está longe de ser ruim. O hormônio cortisol produzido pelo organismo infantil deixa os pulmões preparados para trabalhar a todo vapor. A cesárea, por sua vez, aumenta o risco de ocorrer o que os especialistas chamam de desconforto respiratório. Esse problema pode levar a quadros de insuficiência respiratória e até favorecer a pneumonia.

Acelera a descida do leite: “Durante o trabalho de parto, o organismo da mulher libera os hormônios ocitocina e prolactina, que facilitam a apojadura”, afirma Mariano Sales Junior, da maternidade Hilda Brandão, da Santa Casa de Belo Horizonte. No caso da cesárea eletiva, a mulher pode ser submetida à cirurgia sem o menor indício de que o bebê está pronto para nascer. Daí, o organismo talvez secrete as substâncias que deflagram a produção do leite com certo atraso – de dois a cinco dias depois do nascimento do bebê. Resumo da ópera: a criança terá de esperar para ser amamentada pela mãe.

Cai o mito da dor: por mais ultrapassada que seja, a imagem de uma mãe urrando na hora do parto não sai da cabeça de muitas mulheres. Segundo Washington Rios, coordenador da maternidade de alto risco do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, não há o que temer. “A analgesia é perfeitamente capaz de controlar a dor”, afirma. Isso porque há mais de dez anos os médicos recorrem a uma estratégia que combina a anestesia raquidiana, a mesma usada na cesárea, e a peridural. “A paciente não sofre, mas também não perde totalmente a sensibilidade na região pélvica”, explica a anestesista Wanda Carneiro, diretora clínica do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo. Dessa forma, ela consegue sentir as contrações e até ajudar a impulsionar a criança para fora.

Recuperação a jato: 48 horas após o parto normal, a nova mamãe pode ir para casa com o seu bebê. Em alguns casos, para facilitar a saída da criança, os médicos realizam a episiotomia, um pequeno corte lateral na região do períneo, área situada entre a vagina e o ânus. Quando isso acontece, a cicatrização geralmente leva uma semana. Já quem vai de cesariana recebe alta normalmente entre 60 e 72 horas após o parto e pode levar de 30 a 40 dias para se livrar das dores.

Mais segurança: como em qualquer cirurgia, a cesárea envolve riscos de infecção e até de morte da criança. “Cerca de 12% dos bebês que nascem de cesariana vão para a UTI”, revela Renato Kalil, obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo. No parto normal, esse número cai para 3%. “A sensação da cesariana é semelhante à de qualquer outra cirurgia no abdômen. É, enfim, como extrair uma porção do intestino ou operar o estômago”, compara Kalil. E, convenhamos, o clima de uma sala cirúrgica não é dos mais agradáveis: as máscaras dos médicos, a sedação, a dificuldade para se mexer...

13 de dez. de 2012

Como a grávida deve agir no ambiente de trabalho.

É o momento de achar o limite entre manter o profissionalismo e respeitar a sua gravidez.



Sim, quando você descobre que está grávida é fato que algumas mudanças ocorrem no dia a dia. No trabalho, no entanto, é preciso equilíbrio para manter as emoções sob controle. Confira dicas de como fazer com que os nove meses no trabalho sejam tranquilos:

* Procure trabalhar normalmente... para uma mulher grávida! Enjoos podem ocorrer, os intervalos de idas ao banheiro irão diminuir e alguns movimentos ficarão bem complicados. Adapte-se. Isso significa, por exemplo, rever os prazos — mas jamais deixar de fazer seu trabalho. 

* Faça pequenos descansos, até para controlar melhor as emoções. Dependendo da empresa, dá para combinar almoços mais longos, trabalhar meio período e até ficar online em casa, alguns dias. 
* Não trate a gravidez como um problema. Por exemplo: em vez de dizer “amanhã vou sair mais cedo porque tenho o meu primeiro ultrassom e quero ver se o bebê está bem”, diga apenas “amanhã tenho um exame e sairei mais cedo”. 

* Caso precise enfrentar alguma situação polêmica, escreva antes o que pretende dizer, avaliando a consistência dos argumentos. Assim, manterá a discussão em um nível aceitável e terá como se defender se alegarem que isso só está ocorrendo porque você está grávida e sensível. 

* Cuidado para não falar apenas da gestação (ela vai ser seu assunto preferido, claro). Quando perguntarem como você está, seja objetiva e conte somente o necessário. Deixe os detalhes para um papo com suas amigas, marido, familiares...

* Tente planejar seus horários no médico — seu gestor também precisa se organizar para arcar com a sua ausência. Estabeleça, por exemplo, que terá médico/exame toda segunda-feira de manhã e deixe combinado. Isso também fará ele se comprometer e não marcar uma reunião que exija sua presença. 

* Caso a situação no trabalho seja muito complicada emocionalmente, lembre-se de que esse não é o momento de mudanças. Mas você pode cuidar da sua carreira. Faça cursos online ou aulas domiciliares para aprender outra língua. No mínimo, leia livros sobre a sua área. E deixe para pensar no futuro depois que voltar a trabalhar. 

* Converse sobre a licença-maternidade com seu chefe, mas seja realista. Será mais fácil negociar se você tiver feito antes uma boa avaliação sobre o seu cargo e o quanto sua ausência vai interferir no trabalho da empresa.

12 de dez. de 2012

“Estou grávida e não sinto...”

Sintomas clássicos como enjoo, tontura e desejos estranhos no meio da madrugada não acontecem com você? Não se preocupe: a ausência desses sinais pode ser até algo positivo.



Se a barriguinha anda demorando a despontar ou se o problema é o bebê que não quer saber de dar os primeiros pontapés, relaxe. O atraso no aparecimento de algumas manifestações da gravidez e a ausência de certos sintomas típicos, como o enjoo, não significam, necessariamente, que algo não vá bem ou que você esteja “menos grávida”. Na verdade, ser poupada de alguns mal-estares gravídicos, além de uma bênção, pode ser até sinal de mais saúde.

A ginecologista e obstetra Marcia Andréa Puggesi Rubin, 39 anos, sabe, tanto por experiência própria quanto profissional, que uma mesma mulher pode vivenciar mais de uma gestação de diferentes maneiras. Mãe três vezes – de Matheus (14 anos), de Gabriel (9 anos) e do pequeno Rafael, de apenas 6 meses -, Marcia conta que, nas duas primeiras gestações, a falta de sintomas era quase que total. Já na última, a história foi bem diferente. “Talvez porque, nos dois primeiros filhos, eu trabalhasse muito e não tivesse tempo de observar o que acontecia. Mas, na gravidez do Rafael, eu havia decidido que teria um ritmo mais tranquilo. Assim, senti, por exemplo, uma sonolência tão forte que precisava dormir depois do almoço”, relembra a médica, que passou a repousar por pelo menos uma hora após a refeição todos os dias. Outras mudanças da última gravidez em relação às anteriores foram: desejo por comer uva, azia nos dois últimos meses e prisão de ventre, contornada com muita caminhada e ingestão de fibras.

Agora, veja quais são os sintomas mais comuns às gestantes, em que fase da gravidez costumam surgir e por que podem não se manifestar em alguns casos:


Fadiga e sonolência
Um cansaço maior e uma vontade irresistível de dormir podem surgir desde o início da gestação e permanecer até o final. Os fatores envolvidos são muitos, começando pelo aumento do hormônio progesterona no organismo, que causa relaxamento dos vasos sanguíneos e, consequentemente, uma baixa da pressão arterial na maioria das gestantes. Outro motivo para essa letargia pode ser a anemia dilucional, típica da gravidez, e é exatamente para preveni-la ou tratá-la que o médico que realiza o pré-natal geralmente prescreve a reposição do ferro. “Pacientes que engordam muito tendem a se sentir mais cansadas. Por isso, o ideal é ganhar, no máximo, de 10 a 12 quilos”, afirma Marcia Rubin. Mais uma vez, vale a regra: se no seu caso não há fadiga, significa que seu corpo vai muito bem, obrigada! 
Mamas que não crescem nem doem
 Algumas mulheres sentem os seios estufarem ao longo da gravidez e ficarem mais sensíveis. Com outras, o fenômeno ocorre apenas depois do parto. Ambas as situações são normais, a diferença é que em alguns casos a glândula mamária começa a se preparar para a amamentação antes do nascimento do bebê. Tem a ver com a quantidade de hormônios circulando no organismo e com a sensibilidade individual.
Desejos estranhos
 Para alguns, mera frescura. Para outros, uma vontade legítima de comer algo especial, talvez causada por uma carência nutricional ou pela gangorra hormonal da gravidez. A realidade é que não há respaldo científico para os desejos alimentares das futuras mamães. E nem todas elas os têm. Comprovado mesmo só existe um fato: nenhuma criança até hoje nasceu com cara de bombom ou de empada por falta de se conseguir esses quitutes no meio da madrugada...
Tontura e desmaios
Mais comuns no primeiro trimestre, essas duas manifestações podem perdurar por mais tempo, mas nunca são um bom sinal. “Tonteiras e desmaios normalmente são causados por pressão baixa ou hipoglicemia. Podem provocar quedas, que são potencialmente perigosas”, alerta Luiz Augusto Ferreira Santana, obstetra da Maternidade Leila Diniz, do Rio de Janeiro. Portanto, se você não os tem, parabéns! Possivelmente está se cuidando bem e se alimentando da maneira ideal.
Xixi a toda hora
 A micção frequente – ou, para usar o termo médico exato, polaciúria – é uma realidade cansativa para a maioria das gestantes. E olha que a danada costuma dar as caras lá pelo terceiro mês e só tende a piorar. O motivo é óbvio: quanto mais o útero cresce, mais ele comprime a bexiga, que cada vez consegue armazenar menos urina. Assim, o número de vezes que se urina por dia só aumenta com o passar dos meses. Desse mal você não tem sofrido? Comemore, pois seu caso é uma raridade. “Quando a mulher não tem esse sintoma, provavelmente é porque ela já tinha o hábito de ir mais vezes ao banheiro, então, não percebe nenhuma alteração em sua rotina”, analisa o médico Luiz Augusto Santana.
Intestino para lá de preguiçoso
Prisão de ventre é uma das queixas mais presentes nos consultórios de obstetrícia e pode perdurar os nove meses. A progesterona, mais uma vez, é a responsável pelo problema, já que causa uma diminuição da contração do intestino. “Se a grávida não sofre de constipação, certamente é porque está tomando iogurte, comendo mamão, bebendo suco de laranja. São exemplos de alimentos que melhoram o bolo fecal”, diz o obstetra Luiz Santana. Comer alimentos ricos em fibras e caminhar são medidas que ajudam no trânsito intestinal e, por tabela, colaboram para prevenir hemorroidas, outro mal comum na gravidez.
Azia
Diz a crença popular que quando o estômago da mãe dói, a criança nascerá cabeluda! Claro que não há nenhuma relação entre a azia que muitas grávidas sentem com a quantidade de fios na cabecinha do bebê. Mas que o incômodo pode ser bem desconfortável, ninguém duvida. Ele acontece por conta de uma maior produção de ácido clorídrico no estômago, necessário para metabolizar mais rapidamente os alimentos e assim atender adequadamente às necessidades do feto. Segundo Santana, as gestantes que felizmente não padecem de queimação estomacal são provavelmente dotadas de uma boa capacidade de impedir o refluxo do ácido do estômago para o esôfago. Elas são também privilegiadas, já que a pirose, como é chamado o sintoma, pode ocorrer em todas as fases da gravidez.
O bebê mexer
Sentir os movimentos do bebê talvez seja o momento mais esperado por quem carrega um filho na barriga. Parece até que as tais 22 semanas que o médico diz que são necessárias para começar a perceber o bebê se mexendo nunca passam! Imagine, então, quando essa data chega e nada do filhote dar seus chutes? Se isso está acontecendo com você, não vale pirar. O pré-natal estando em dia, basta ter mais um pouquinho de paciência. “Tem nenê que é mais preguiçoso, dorme muito, e é preciso que a mãe esteja muito atenta para perceber movimentos. E se tiver pouco líquido amniótico, o bebê mexe menos mesmo”, esclarece Luiz Santana.
Barriga discreta
Não adianta sonhar com um barrigão muito evidente se sua constituição física não favorece essa situação. “A grávida obesa quase não faz barriga, enquanto a miudinha forma uma barriga grande e pontuda desde o princípio da gestação”, exemplifica Marcia. “Fatores como o diâmetro e o formato da pelve da mulher e se ela tem ou não cintura larga também interferem em como a barriga vai aparecer”, complementa Santana. As mais ansiosas por desfilar a silhueta de grávida podem valorizar as curvas do ventre com batas e vestidos recortados sob o busto. O truque ajuda a marcar mais a barriguinha.

via bebê Abril









11 de dez. de 2012

Livre-se das manchas no rosto da gravidez



Ainda não existe cura para as tais marcas, conhecidas como melasma. Mas, é possível prevenir e atenuar o problema que tanto incomoda as gestantes
As alterações hormonais relacionadas à gravidez e ao desenvolvimento do bebê são as mesmas que provocam efeitos indesejáveis, como o aparecimento ou agravamento de manchas marrons em vários pontos da face – o melasma que, durante esse período, recebe o nome de cloasma gravídico. Ainda não são totalmente conhecidos os mecanismos de surgimento da lesão, tampouco o conjunto de hormônios envolvidos. A única certeza é a da participação do estrogênio e da progesterona, além da desconfiança da atuação do hormônio melanotrófico, que age na liberação de melanina, uma proteína que confere cor à pele. “Os hormônios femininos têm ação direta na pigmentação cutânea”, afirma a dermatologista Leandra Metsavaht, diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). “Na gravidez, esse processo fica bastante evidente. Basta notar o escurecimento da linha alba, aquela linha vertical bem no meio do abdômen, que escurece e se torna a linha nigra. Do mesmo modo, ficam mais escuros os grandes lábios vaginais, a aréola mamária, as regiões da virilha, axilas e até as pintas espalhadas pelo corpo”. Então, o problema tanto pode aparecer pela primeira vez numa gravidez como ser desencadeado muito tempo antes dela, pela ação dos hormônios presentes nas pílulas anticoncepcionais. A SBD alerta que, apesar de se tratar de uma alteração benigna, sem risco de complicações, o problema traz um impacto psicossocial muito importante na qualidade de vida das mulheres.

Embora o problema tenha muitas causas ainda desconhecidas – não se sabe, por exemplo, se há fatores genéticos e hereditários envolvidos – o sol e o calor são os principais aliados dos hormônios nesse processo. “De tudo o que se sabe com certeza é que a lesão aparece, reaparece ou se intensifica com a exposição aos raios solares ou em ambientes muito quentes”, explica a dermatologista Meire Brasil Parada, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo ela, as manchas podem ser mais superficiais ou profundas. Quanto mais externas, mais fácil de clarear.

As alterações hormonais persistem por um período de quatro a seis meses após o término da gravidez. Assim a hiperpigmentação tende a diminuir gradualmente após o parto, principalmente e mais rapidamente com o uso de fotoproteção constante. Entretanto, isso não significa que o melasma irá desaparecer.

Como infelizmente ainda não há cura para o problema, o melhor a fazer é prevenir o seu aparecimento – leia-se a total proteção contra os raios solares com o uso de bloqueadores, bonés e viseiras, além de evitar, o máximo possível, a exposição ao sol, principalmente entre as 10 e as 15 horas, no horário normal e entre as 11 e 16 horas, no esquema de verão. Alessandra Bisi, dermatologista do Prontobaby Hospital da Criança, do Rio de Janeiro, lembra que, durante a gravidez, as mulheres podem ainda utilizar loções faciais contendo vitamina C a 10%, desde que prescritas pelo médico. "Devem ser usadas duas vezes ao dia, mas é necessário manter o uso do protetor solar".

Meire Brasil lembra que, quanto maior o fator protetor do filtro solar (FPS), melhor – no mínimo 30. Ela recomenda o uso de bloqueadores com cor, semelhantes a uma base para maquiagem. “Eles são mais eficazes porque a base e o bloqueador formam uma dupla barreira física contra os raios ultravioleta”, diz.

E aplicar o protetor uma vez por dia não garante nenhuma proteção. O correto, conforme a especialista da Unifesp, é lavar o rosto e espalhar uma camada assim que levantar da cama pela manhã. E a cada duas horas, lavar o rosto ou limpá-lo com loção de limpeza ou demaliquante e reaplicar o filtro solar. “Só respeitando a frequência de aplicação a cada duas horas é que se pode dizer que há proteção”, avisa. Ela ressalta ainda que não basta aplicar uma camada leve. São necessárias quantidades generosas no rosto todo. A recomendação é de dois milímetros cúbicos, ou seja, uma colher de café cheia do produto.

Depois que o melasma aparece, não tem mais jeito de acabar com ele para sempre. Mas, existem tratamentos capazes de atenuá-lo, evitando que as manchas se intensifiquem. “Além da proteção contra os raios ultravioleta, existem medicamentos que podem ser prescritos pelo especialista, como o ácido azelaico, a vitamina C tópica, alfa e beta hidroxiácidos e os ácidos retinóico, fítico e lático. Como alguns desses medicamentos não devem ser usados por gestantes, esta é mais uma razão para não se automedicar”, alerta Leandra.

Segundo ela ressalta, o único procedimento que a gestante pode e deve fazer em casa para evitar a piora da situação é a fotoproteção. Para controlar o problema, é preciso sempre procurar um dermatologista para o diagnóstico correto e condução do melhor tratamento para cada caso.

Os dermatologistas são unânimes ao afirmar que nem todas as mulheres respondem de maneira idêntica aos tratamentos para amenizar o melasma. “Em geral, o tratamento é muito difícil e, não raro, frustrante, tanto para o médico, quanto para o paciente”, enfatiza Leandra Metsavaht, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.  “Estudos mostram que algumas combinações de medicamentos são mais eficazes do que os medicamentos isolados. Porém, algumas pacientes ficam com a pele extremamente sensível e isso deve ser avaliado caso a caso”, diz. O mais importante é que quem tem melasma deve ter em mente que não existe milagre e nem cura. “Uma vez com melasma, sempre com melasma. E quanto mais vermelha e sensível aos raios ultravioleta estiver a pele, pior ficará o aspecto do melasma.

Como tratar? 
Segundo a dermatologista Tatiana Jerez Jaime, da Clínica Denise Steiner, em São Paulo, em muitos casos o melasma gravídico pode desaparecer após o parto. “Em 30% das mulheres, as manchas se mantêm após o período gestacional, mas é importante que elas tenham em mente que uma pele que apresenta melasma deverá ser cuidada pelo resto da vida. As manchas podem desaparecer com o tratamento, porém qualquer exposição ao sol, mesmo que mínima, pode fazer a mancha reaparecer”, destaca.

Conforme a especialista, existem diversos produtos e tratamentos para o melasma. Na maioria das vezes, em busca de melhores resultados, o dermatologista combina estes tratamentos. Conheça os principais:

Ácidos – são, na sua maioria, produtos considerados medicamentos e, por isso, vendidos em farmácias, na forma de creme, loção, gel, serum. Em geral, são produtos para uso noturno, devendo ser removidos pela manhã. Sua função é promover a renovação celular e estimular a formação de colágeno, além de facilitar a penetração, através da pele, de outros agentes com funções clareadoras. Devem sempre ser prescritos por um dermatologista, que explicará a forma correta de uso. Quando mal usados, podem levar a irritações da pele e com isso piorar as manchas. Os ácidos mais usados são o retinóico ou tretinoína, o glicólico, o azelaico e adapaleno. O único ácido que, comprovadamente, pode ser usado no período da gestação e aleitamento é o ácido azelaico.

Clareadores – Em sua maioria, são considerados produtos cosméticos. Nessa categoria estão o arbutin, o ácido kojico, a vitamina C ou ácido ascórbico, o melawhite e skin whitening complex. Há ainda o hidroquinona, um despigmentante mais potente e considerado medicamento. Estes ativos podem ser usados em produtos combinados com os ácidos para aplicação noturna ou em produtos clareadores para serem aplicado de dia. “O uso dos clareadores é sempre recomendado no tratamento do melasma. Alguns deles podem ser usados durante a gestação e o aleitamento, como a vitamina C. Porém a hidroquinona é proibida neste período”, destaca Tatiana. A resposta ao tratamento com produtos tópicos é lenta e gradual. Alguns casos apresentam melhora significativa após um mês de uso dos produtos, outros precisam de até 3 meses para que os resultados sejam visíveis. O importante, segundo ela, é não esperar resultados milagrosos e rápidos, mas insistir no tratamento. Já os recursos domiciliares, contínuos e prolongados, com ácidos e clareadores, são considerados os melhores tratamentos para o melasma desde que, óbvio, sempre aliado à proteção solar.

Proteção solar – Os filtros solares são fundamentais no tratamento do melasma. Um único dia de descuido pode colocar a perder os resultados obtidos com meses de uso de produtos clareadores. Hoje em dia os especialistas dão preferência aos filtros que contenham cor de base por serem mais efetivos na proteção contra a luz visível, aquela emitida pelas lâmpadas e refletores. Os filtros brancos, por mais alto que seja seu FPS, só protegem dos raios ultravioleta do sol. No dia a dia, quem tem melasma deve repassar o filtro pelo menos 3 vezes ao dia (manhã, no almoço e meio da tarde). “É importante lembrar que a proteção dos filtros nunca é 100%. Por isso, devemos sempre tentar usar meios físicos de proteção, como chapéus e viseiras de abas largas, sobrinhas e, na praia, ficar à sombra de barracas”, diz. A proteção solar pode e deve ser usada durante a gestação e o aleitamento.

Ativos via oral – Algumas substâncias, quando ingeridas, protegem a pele do dano solar, contribuindo para o tratamento do melasma. São produtos eficientes para serem usados como adjuvantes aos de uso tópico (local), disponíveis em formulações industrializadas ou fórmulas manipuladas. Os ativos mais usados  incluem as substâncias polypodium leucotomos, picnogenol, luteína e outros antioxidantes, como o licopeno. “São produtos usados principalmente no verão, quando a exposição solar é maior. No geral, recomendamos iniciar o uso 15 a 30 dias antes do início da exposição. Como não existem estudos em grávidas, estas substâncias de uso oral não são recomendadas durante a gestação e o aleitamento”, destaca Tatiana.

Peelings – são escamações da pele promovidas pelo uso de ácidos – no caso, de peelling químicos – ou por uso de objetos abrasivos como lixas e cristais, os peelings físicos. Esses procedimentos podem ser superficiais, médios ou profundos, conforme a camada da pele que a descamação atinge. Quanto mais profundo, mais agressivo e mais intensas a inflamação e irritação da pele logo, após o procedimento. “Como o melasma é um quadro que pode ser piorado por irritação e inflamação na pele, os peelings mais agressivos não são recomendados’, diz Tatiana. Mesmo os superficiais, que podem ser usados em alguns casos, devem ser feitos com cautela e sempre indicados e acompanhados por um dermatologista. Não devem nunca ser usados como tratamento único para o melasma e sim como coadjuvantes ao tratamento tópico domiciliar, feito com ácidos e clareadores. Geralmente são necessárias em média cinco sessões, com intervalos de cerca de 30 dias. “Como a pele com melasma não deve ser submetida a irritações, evitamos intervalos menores e procedimentos mais agressivos, o que poderia piorar as manchas”. Os peelings químicos são contraindicados durante a gestação. Já os peelings físicos, como o de cristal, poderiam ser usados. Mas os seus possíveis benefícios talvez não justifiquem os riscos, já que a possibilidade de pigmentação por irritação ou inflamação é ainda maior durante o período que vai da gestação até seis meses após o parto.

Lasers e Luzes – são tecnologias mais recentes e de uso bastante controverso no tratamento do melasma. Nunca devem ser considerados uma forma de cura ou salvação ou mesmo utilizados como tratamento único. Segundo Tatiana, muitos tratamentos como a Luz Intensa Pulsada e os Lasers Fracionados mostraram resultados desanimadores para o melasma. A maioria dos casos apresenta uma melhora inicial, seguida de uma piora importante, conhecida como efeito rebote. Na tentativa de evitar o rebote, estas tecnologias, quando usadas, devem ser sempre com baixa intensidade, distribuída em um maior número de sessões.

Segundo a especialista da Clínica Denise Steiner, recentemente chegou ao Brasil uma tecnologia nova que, diferente dos lasers mais antigos, apresenta resultados promissores e que, em muitos casos, parece não haver o risco de pigmentação rebote, ou seja, escurecimento da mancha após o tratamento. Trata-se de um equipamento chamado Q-switched Nd:YAG, que dispara raios em pulsos ultra-rápidos (nanosegundos), capazes de destruir a melanina sem gerar calor suficiente que cause agressão à pele ao redor, evitando a irritação e a inflamação que seriam responsáveis pela piora da mancha. O tratamento com esse tipo de laser é feito, a princípio, em dez sessões semanais. A tecnologia ainda não representa a cura para o melasma, mas parece apresentar resultados mais eficientes e duradouros do que as outras técnicas empregadas até hoje.    

Como ela destaca, como ainda não há estudos sobre os riscos para o feto, o uso de lasers não é recomendado nas gestantes. Durante o aleitamento, em tese, eles poderiam ser usados, porém com muita cautela, por conta dos índices do hormônio responsável pela pigmentação aumentada nas gestantes, que se mantém elevado cerca de seis meses após o parto.